Economia
Justiça autoriza três bets a voltar a funcionar em SP; desembargadora vê “confisco” de dinheiro das empresas
Decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região permite que três plataformas de apostas retomem suas atividades no Brasil. Governo federal anuncia que vai recorrer.
Por Redação NEXO 24

A Justiça Federal autorizou o retorno das operações de três plataformas de apostas online no Brasil, contrariando uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proibiu o funcionamento das chamadas bets em todo o território nacional.
A decisão foi tomada pela desembargadora Adriana Pileggi, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), em São Paulo, e beneficia as plataformas Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online, pertencentes à empresa CDA Gaming.
A magistrada considerou que a suspensão das atividades, sem a devolução dos valores pagos pelas empresas para obter autorização de funcionamento, representa um verdadeiro confisco de recursos privados.
Empresa pagou R$ 30 milhões para operar legalmente
A CDA Gaming havia recebido autorização do Ministério da Fazenda para explorar apostas esportivas e jogos online no Brasil, após pagar R$ 30 milhões pela licença.
A autorização tinha validade prevista até dezembro de 2029.
Entretanto, em 25 de setembro de 2026, o governo federal publicou a Medida Provisória nº 1.394, proibindo a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país.
A norma determinou o encerramento antecipado das autorizações concedidas às empresas, sem previsão de restituição dos valores pagos.
Diante da mudança, a CDA Gaming recorreu à Justiça, argumentando que a decisão do governo provocaria prejuízos financeiros e violaria a segurança jurídica.
Desembargadora critica decisão do governo
Ao analisar o recurso, Adriana Pileggi entendeu que a proibição imposta pelo governo federal desconsiderou os investimentos realizados pelas empresas que haviam recebido autorização oficial para funcionar.
Segundo a magistrada, a extinção das licenças em prazo reduzido, sem ressarcimento financeiro, compromete princípios constitucionais como segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade.
A desembargadora também questionou os critérios de urgência utilizados pelo governo para justificar a edição da medida provisória.
Para ela, a administração pública não pode simplesmente modificar condições anteriormente estabelecidas sem considerar os direitos das empresas que cumpriram as exigências legais.
Governo Lula afirma que proibição busca proteger famílias
O governo federal justifica a proibição das bets pelos impactos sociais e econômicos provocados pelas apostas online.
Entre as principais preocupações estão o endividamento das famílias, os problemas relacionados à dependência em jogos e os prejuízos à saúde mental dos apostadores.
Durante audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), representantes do governo defenderam que as medidas de regulamentação e fiscalização não foram suficientes para conter os danos associados ao setor.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, argumentou que a proteção da saúde e da estabilidade financeira das famílias justifica a intervenção do Estado.
Três plataformas estão autorizadas a funcionar
Com a decisão judicial, Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online poderão retomar suas atividades em todo o território nacional.
A liminar também determina o restabelecimento dos sites, dos sistemas de pagamento e dos serviços necessários ao funcionamento das plataformas.
A autorização, entretanto, beneficia exclusivamente a CDA Gaming e não representa a liberação geral das casas de apostas no Brasil.
A decisão tem caráter provisório e poderá ser modificada durante o andamento do processo.
Governo vai recorrer e STF analisa proibição
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que pretende recorrer da decisão judicial.
Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal analisa ações que questionam a constitucionalidade da medida provisória que proibiu as apostas online.
O ministro Luiz Fux, relator dos processos, realizou uma audiência pública para ouvir representantes do governo, empresas, clubes de futebol e entidades da sociedade civil.
O debate envolve tanto os impactos sociais das apostas quanto os efeitos econômicos da proibição sobre empresas que receberam autorização para atuar legalmente.
Enquanto não houver uma decisão definitiva, o funcionamento das três plataformas permanece amparado pela liminar concedida pelo TRF-3.




