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Pastor é condenado a 200 anos de prisão após provocar morte de 190 crianças em seita no Quênia

Líder religioso obrigava seguidores a passar fome até a morte, prometendo que o sacrifício garantiria a entrada no céu. Mais de 400 corpos foram encontrados durante as investigações.

Por Redação NEXO 24

· atualizado em

3 min de leitura
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Um dos casos mais chocantes envolvendo uma seita religiosa na África teve um novo capítulo nesta sexta-feira (6). A Justiça do Quênia condenou o autoproclamado pastor Paul Mackenzie a 200 anos de prisão pela morte de 190 crianças e um adulto, vítimas de uma série de jejuns forçados e assassinatos associados a práticas extremistas dentro de uma comunidade religiosa.

Mackenzie, fundador da Igreja Internacional das Boas Novas, convencia seus seguidores de que o fim do mundo estava próximo e que a única maneira de alcançar a salvação seria abandonar a alimentação e permanecer em jejum até a morte.

A sentença foi anunciada pelo Tribunal Superior de Mombaça, no litoral queniano, após o líder religioso ter sido considerado culpado em outubro.

Crianças eram obrigadas a morrer primeiro

As investigações revelaram que Mackenzie havia estabelecido uma ordem para a morte dos integrantes da seita.

Segundo um relatório do Senado do Quênia, as crianças deveriam ser as primeiras a morrer, seguidas pelos jovens e pelas mulheres. Os homens deveriam permanecer vivos por mais tempo para enterrar os corpos das vítimas antes de também morrerem.

O grupo havia se estabelecido na floresta de Shakahola, no leste do país, onde famílias inteiras passaram a viver isoladas, sob regras impostas pelo líder religioso.

De acordo com as conclusões da Justiça, crianças eram impedidas de se alimentar, enquanto integrantes da seita controlavam a movimentação dos seguidores e puniam aqueles que tentavam fugir ou desobedecer às ordens.

Mais de 400 corpos foram encontrados na floresta

O caso começou a ser descoberto em abril de 2023, quando autoridades quenianas iniciaram buscas na região após denúncias sobre pessoas que estavam morrendo de fome.

Durante as operações, policiais encontraram centenas de sepulturas improvisadas e restos mortais espalhados pela área ocupada pela comunidade religiosa.

Ao longo das investigações, 448 corpos foram recuperados, segundo dados divulgados pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia.

Exames realizados nas vítimas apontaram que muitas morreram por desnutrição severa. Outras apresentavam sinais de violência, incluindo estrangulamento, espancamento e asfixia.

A descoberta provocou indignação internacional e levantou questionamentos sobre a atuação das autoridades diante das denúncias envolvendo o grupo.

Justiça determina pena de 200 anos

A juíza Diana Kavedza estabeleceu uma condenação de 100 anos de prisão pelas mortes provocadas pela privação de alimentos e outros 100 anos pelos homicídios cometidos de outras formas.

Além de Mackenzie, outros 28 envolvidos receberam condenações que variam de 10 a 160 anos de prisão.

Durante o processo, o líder religioso negou ter obrigado seus seguidores a abandonar a alimentação. Sua defesa informou que pretende recorrer da decisão.

O Ministério Público havia solicitado a pena de morte, argumentando que a gravidade e a quantidade de vítimas justificavam a punição máxima prevista na legislação queniana.

Embora o país ainda mantenha a pena capital em sua legislação, nenhuma execução é realizada desde 1987.

Tragédia deixou famílias destruídas

Familiares das vítimas acompanharam o julgamento e cobraram justiça pelas mortes.

Entre eles estão pais e avós que perderam vários integrantes da família, incluindo crianças que foram levadas para a comunidade religiosa e nunca mais retornaram.

Muitas vítimas ainda não foram identificadas, o que prolonga o sofrimento de parentes que continuam buscando informações sobre seus familiares desaparecidos.

Investigações ainda não terminaram

Apesar da condenação de 200 anos, o caso permanece sob investigação.

As autoridades continuam apurando outras mortes relacionadas às atividades da seita, além de possíveis crimes de terrorismo, tortura e abuso infantil.

O episódio ficou conhecido internacionalmente como o massacre de Shakahola e se tornou um dos maiores casos de mortes em massa associados a uma seita religiosa na história recente do Quênia.

Horror no Quênia: líder de seita é condenado a 200 anos por mortes de fiéis
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