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Presidente do Supremo da Bolívia deixa o país após mandado de prisão por suspeita de tráfico de drogas
Romer Saucedo, de 38 anos, é investigado por tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. Magistrado denuncia perseguição política e afirma temer pela própria vida.
Por Redação NEXO 24

O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, de 38 anos, afirmou ter deixado o país com a família após se tornar alvo de uma investigação criminal envolvendo suspeitas de tráfico de drogas e associação criminosa.
A informação ganhou repercussão nesta quinta-feira (5 de novembro), depois que o Ministério Público boliviano confirmou a existência de uma ordem de prisão contra o magistrado.
Saucedo, por sua vez, afirma que está sendo perseguido politicamente pelo governo do presidente Rodrigo Paz e que decidiu sair do território boliviano por temer pela própria segurança e pela vida de seus familiares.
Ministério Público pretende acionar a Interpol
O procurador-geral interino da Bolívia, José Armando Urioste, confirmou que o presidente da Suprema Corte é investigado por suspeita de envolvimento com tráfico de substâncias controladas e organização criminosa.
Segundo o Ministério Público, as investigações estão sob sigilo e contam com depoimentos de testemunhas protegidas.
As autoridades também pretendem solicitar à Interpol a emissão de um alerta vermelho para auxiliar na localização internacional do magistrado.
Apesar de Saucedo afirmar que deixou a Bolívia, os registros migratórios consultados pelas autoridades não apresentavam confirmação oficial de sua saída. Investigadores trabalham com a possibilidade de que ele tenha atravessado a fronteira por via terrestre.
Magistrado denuncia perseguição política
Em uma publicação nas redes sociais, Romer Saucedo declarou que sua decisão de deixar o país foi motivada por ameaças e pela falta de garantias de segurança.
O magistrado acusa integrantes do governo boliviano de tentar construir acusações falsas para prejudicá-lo politicamente.
Ele também afirmou temer sofrer um atentado e mencionou o assassinato do juiz Víctor Hugo Claure, integrante do Tribunal Agroambiental, morto a tiros em abril deste ano.
As acusações de perseguição apresentadas por Saucedo não foram comprovadas de forma independente.
O presidente do Supremo declarou ainda que não pretende abandonar definitivamente suas funções e que deseja retornar à Bolívia quando considerar que existem condições de segurança para ele e sua família.
Suprema Corte estabelece prazo de seis dias
Diante da ausência do presidente, o Tribunal Supremo de Justiça decidiu conceder um prazo de seis dias para que Saucedo retorne às suas atividades.
Durante esse período, a magistrada Rosmery Ruiz ficará responsável pelo exercício das funções da presidência.
Caso o juiz não retorne dentro do prazo estabelecido, o tribunal poderá adotar medidas para definir sua substituição.
Investigação ocorre em meio a denúncias no Judiciário
O caso de Romer Saucedo ocorre em um momento de investigações envolvendo outras autoridades do sistema judicial boliviano.
Entre os investigados está o ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso em outubro sob acusações relacionadas a uma suposta organização criminosa.
Autoridades bolivianas investigam suspeitas de que integrantes do sistema de Justiça tenham oferecido proteção a organizações ligadas ao narcotráfico.
O vice-ministro do Interior, Peter Maldonado, relacionou publicamente a saída de Saucedo às investigações envolvendo Mariaca.
Até o momento, entretanto, não foram divulgados detalhes das provas que fundamentam as suspeitas específicas contra o presidente do Supremo.
Crise amplia tensão entre governo e Judiciário
O episódio intensifica as tensões entre integrantes do Poder Judiciário e o governo do presidente Rodrigo Paz.
Saucedo sustenta que sua atuação à frente da Suprema Corte contrariou interesses políticos e que estaria sendo alvo de represálias.
Já as autoridades afirmam que as investigações criminais continuarão, independentemente da posição ocupada pelo magistrado.
O caso permanece em investigação, e as acusações ainda não representam uma condenação judicial.




