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Presidente do Paraguai renuncia após colapso de banco que deixou quase 3 milhões de clientes com dinheiro bloqueado
Santiago Peña deixou o cargo em meio à pressão popular e política após a liquidação do Ueno Bank. Crise também provocou protestos, investigações e abertura de processo de impeachment.
Por Redação NEXO 24
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5 de novembro), em meio a uma grave crise financeira e política provocada pelo colapso do banco digital Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país.
A decisão ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, que enfrentava pressão da oposição e de integrantes de seu próprio partido.
A crise ganhou proporções nacionais depois que aproximadamente 2,9 milhões de clientes tiveram seus recursos bloqueados em decorrência da intervenção do Banco Central do Paraguai.
Colapso bancário atinge milhões de paraguaios
O Ueno Bank entrou em processo de liquidação após as autoridades financeiras identificarem problemas relacionados à capacidade da instituição de cumprir suas obrigações.
Com aproximadamente 2,9 milhões de correntistas, o banco atendia uma parcela expressiva da população adulta do Paraguai.
A paralisação das operações provocou dificuldades para famílias, trabalhadores, aposentados e empresas que utilizavam os serviços da instituição.
Além dos depósitos particulares, o banco concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores ligados ao sistema previdenciário.
A situação desencadeou protestos nas ruas e aumentou a pressão sobre o governo.
Ligação do presidente com o banco intensificou crise
Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, ligado ao Ueno Bank, até março de 2025.
Essa relação passou a ser questionada por parlamentares da oposição, que levantaram suspeitas de conflito de interesses e cobraram explicações sobre a aplicação de recursos públicos na instituição financeira.
Outro ponto controverso foi a nomeação de Carlos Carvallo para a presidência do Banco Central paraguaio. Antes de assumir o órgão regulador, Carvallo havia ocupado cargo de direção no banco digital.
Com o agravamento da crise, Carvallo também apresentou sua renúncia.
O Ministério Público iniciou investigações sobre possíveis irregularidades e solicitou a prisão de pessoas ligadas à administração do Ueno Bank.
Presidente anuncia saída e pede desculpas
Diante da pressão política, Santiago Peña anunciou que deixaria a Presidência para preservar a estabilidade institucional do país.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o presidente afirmou que a República deveria estar acima dos interesses individuais e reconheceu a gravidade do momento enfrentado pelo Paraguai.
Peña também pediu desculpas à população e declarou que nunca teve a intenção de trair a confiança dos cidadãos.
Mesmo após o anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o prosseguimento do processo de impeachment. Caberá ao Senado decidir os próximos encaminhamentos.
Vice-presidente deve assumir o comando do país
Com a saída de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana, também integrante do Partido Colorado, deverá assumir a Presidência do Paraguai, conforme os procedimentos constitucionais.
A mudança de governo ocorre em um momento delicado para a economia paraguaia, com preocupações sobre a segurança dos depósitos bancários e a confiança dos investidores.
Crise pode provocar impactos econômicos
Representantes do comércio paraguaio alertaram para os efeitos da paralisação das operações do Ueno Bank, amplamente utilizado em transações comerciais.
A situação também desperta preocupação entre investidores estrangeiros, especialmente porque o Paraguai vinha ampliando sua participação como destino de investimentos na América do Sul.
As autoridades financeiras trabalham em mecanismos para permitir a recuperação dos valores depositados pelos clientes.
O país possui um fundo garantidor que prevê cobertura de depósitos dentro de determinados limites, mas ainda existem dúvidas sobre os recursos que ultrapassam essa proteção.
Enquanto o Paraguai passa por uma transição presidencial, milhões de clientes aguardam soluções para recuperar o acesso ao próprio dinheiro.




