Pular para o conteúdo
NEXO 24
NEXO AgoraNEXO 24 — Jornalismo nacional e internacional

Brasil

Homem é condenado a mais de 67 anos de prisão por estuprar e matar mulher durante caminhada em Arapiraca

Anderson Gonçalves foi considerado culpado por feminicídio, estupro e ocultação de cadáver de Cícera Laura da Silva. Crime aconteceu no Bosque das Arapiracas, em janeiro deste ano, e provocou grande comoção na cidade.

Por Redação NEXO 24

4 min de leitura
CompartilheWhatsAppFacebookXTelegramLinkedIn

A Justiça de Alagoas condenou Anderson Gonçalves a 67 anos, quatro meses e 15 dias de prisão pelos crimes de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver contra Cícera Laura da Silva, de 47 anos. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (4), após julgamento pelo Tribunal do Júri, no Fórum de Arapiraca, no Agreste alagoano.

O crime aconteceu em janeiro de 2026, quando a vítima saiu de casa para fazer sua caminhada habitual e desapareceu. O corpo foi encontrado em uma área de mata no Bosque das Arapiracas, apresentando sinais de violência.

O Conselho de Sentença reconheceu os três crimes apontados pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). A decisão determina que o condenado cumpra a pena inicialmente em regime fechado.

7Segundos+1

Câmeras de segurança ajudaram a esclarecer o crime

As investigações contaram com imagens de câmeras de segurança que registraram os últimos momentos de Cícera Laura antes do desaparecimento.

Nas gravações, Anderson aparece conduzindo a vítima em direção a uma área de vegetação por volta das cinco horas da manhã. Aproximadamente uma hora depois, ele deixa o local sozinho.

Segundo a investigação, a mulher foi surpreendida enquanto caminhava em uma via pública e levada para um ponto isolado, onde teve suas possibilidades de reação e pedido de socorro reduzidas.

O corpo foi encontrado dois dias após o desaparecimento, em uma região de difícil acesso, já em estado de decomposição.

As imagens tiveram papel importante na identificação do suspeito e na reconstrução dos acontecimentos.

Família participou das buscas e cobrou providências

Durante o julgamento, familiares de Cícera relataram os momentos de angústia vividos após o desaparecimento.

A filha da vítima, Amanda, contou que a família procurou ajuda policial, mas enfrentou dificuldades para conseguir o início imediato das buscas.

Diante da situação, os próprios familiares buscaram imagens de câmeras de segurança da região e conseguiram identificar o trajeto percorrido pela vítima.

Com as informações reunidas, o Corpo de Bombeiros foi acionado e localizou o corpo.

Em depoimento, Amanda destacou que a mãe era muito próxima da família e tinha o hábito de realizar caminhadas sozinha.

A promotora Viviane Farias, responsável pela acusação, criticou a falta de assistência relatada pelos familiares e afirmou que houve falhas no atendimento prestado durante as buscas.

DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO

Condenado já tinha antecedentes por estupro e roubo

Natural do Rio Grande do Sul, Anderson Gonçalves já havia cumprido pena por violência sexual e também possuía antecedentes criminais por roubo.

Ele foi preso no dia 7 de janeiro de 2026, durante uma operação da Polícia Civil de Alagoas. O suspeito foi localizado em uma serralharia no bairro Alto do Cruzeiro, em Arapiraca, onde trabalhava.

Durante as investigações, policiais apreenderam roupas e objetos que poderiam estar relacionados ao crime.

Após a prisão, outras duas mulheres procuraram a polícia para relatar episódios de importunação sexual atribuídos ao investigado.

Durante o julgamento, testemunhas afirmaram que também haviam sido abordadas por Anderson enquanto caminhavam na região do Bosque das Arapiracas.

Uma delas relatou ter sido tocada sem consentimento e alvo de exposição indecente aproximadamente um mês antes da morte de Cícera.

Júri reconheceu feminicídio, estupro e ocultação de cadáver

A acusação sustentou que Cícera Laura foi vítima de violência sexual antes de ser assassinada e que o condenado tentou ocultar o corpo em uma área de vegetação.

Durante o julgamento, Anderson admitiu à defesa ter matado a vítima.

A defesa tentou afastar as acusações de estupro e ocultação de cadáver, argumentando que os exames periciais não haviam comprovado a violência sexual devido ao estado de decomposição do corpo.

Os jurados, entretanto, acolheram a acusação apresentada pelo Ministério Público e reconheceram a responsabilidade do réu pelos três crimes.

Na sentença, o juiz considerou a gravidade dos fatos, os antecedentes do condenado e as circunstâncias em que a vítima foi atacada.

Pena ultrapassa 67 anos de prisão

PENAS FIXADAS PELA JUSTIÇA

67 anos, 4 meses e 15 dias

Total da condenação

Feminicídio56 anos, 10 meses e 15 diasEstupro8 anos e 2 mesesOcultação de cadáver2 anos e 4 meses

Além da pena de prisão, Anderson deverá pagar 204 dias-multa, conforme estabelecido na sentença.

A decisão da 5ª Vara Criminal de Arapiraca estabelece o regime inicial fechado e determina a expedição de mandado de prisão definitiva para o cumprimento imediato da pena.

A condenação representa um desfecho judicial importante para um caso que mobilizou a população de Arapiraca e provocou manifestações de indignação e pedidos de justiça desde o início do ano.

O caso também trouxe à discussão a segurança das mulheres em espaços públicos e os procedimentos adotados pelas autoridades diante de desaparecimentos.

CompartilheWhatsAppFacebookXTelegramLinkedIn

Leia também