Brasil
Homem é condenado a mais de 67 anos de prisão por estuprar e matar mulher durante caminhada em Arapiraca
Anderson Gonçalves foi considerado culpado por feminicídio, estupro e ocultação de cadáver de Cícera Laura da Silva. Crime aconteceu no Bosque das Arapiracas, em janeiro deste ano, e provocou grande comoção na cidade.
Por Redação NEXO 24

A Justiça de Alagoas condenou Anderson Gonçalves a 67 anos, quatro meses e 15 dias de prisão pelos crimes de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver contra Cícera Laura da Silva, de 47 anos. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (4), após julgamento pelo Tribunal do Júri, no Fórum de Arapiraca, no Agreste alagoano.
O crime aconteceu em janeiro de 2026, quando a vítima saiu de casa para fazer sua caminhada habitual e desapareceu. O corpo foi encontrado em uma área de mata no Bosque das Arapiracas, apresentando sinais de violência.
O Conselho de Sentença reconheceu os três crimes apontados pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). A decisão determina que o condenado cumpra a pena inicialmente em regime fechado.
7Segundos+1
Câmeras de segurança ajudaram a esclarecer o crime
As investigações contaram com imagens de câmeras de segurança que registraram os últimos momentos de Cícera Laura antes do desaparecimento.
Nas gravações, Anderson aparece conduzindo a vítima em direção a uma área de vegetação por volta das cinco horas da manhã. Aproximadamente uma hora depois, ele deixa o local sozinho.
Segundo a investigação, a mulher foi surpreendida enquanto caminhava em uma via pública e levada para um ponto isolado, onde teve suas possibilidades de reação e pedido de socorro reduzidas.
O corpo foi encontrado dois dias após o desaparecimento, em uma região de difícil acesso, já em estado de decomposição.
As imagens tiveram papel importante na identificação do suspeito e na reconstrução dos acontecimentos.

Família participou das buscas e cobrou providências
Durante o julgamento, familiares de Cícera relataram os momentos de angústia vividos após o desaparecimento.
A filha da vítima, Amanda, contou que a família procurou ajuda policial, mas enfrentou dificuldades para conseguir o início imediato das buscas.
Diante da situação, os próprios familiares buscaram imagens de câmeras de segurança da região e conseguiram identificar o trajeto percorrido pela vítima.
Com as informações reunidas, o Corpo de Bombeiros foi acionado e localizou o corpo.
Em depoimento, Amanda destacou que a mãe era muito próxima da família e tinha o hábito de realizar caminhadas sozinha.
A promotora Viviane Farias, responsável pela acusação, criticou a falta de assistência relatada pelos familiares e afirmou que houve falhas no atendimento prestado durante as buscas.
DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO
Condenado já tinha antecedentes por estupro e roubo
Natural do Rio Grande do Sul, Anderson Gonçalves já havia cumprido pena por violência sexual e também possuía antecedentes criminais por roubo.
Ele foi preso no dia 7 de janeiro de 2026, durante uma operação da Polícia Civil de Alagoas. O suspeito foi localizado em uma serralharia no bairro Alto do Cruzeiro, em Arapiraca, onde trabalhava.
Durante as investigações, policiais apreenderam roupas e objetos que poderiam estar relacionados ao crime.
Após a prisão, outras duas mulheres procuraram a polícia para relatar episódios de importunação sexual atribuídos ao investigado.
Durante o julgamento, testemunhas afirmaram que também haviam sido abordadas por Anderson enquanto caminhavam na região do Bosque das Arapiracas.
Uma delas relatou ter sido tocada sem consentimento e alvo de exposição indecente aproximadamente um mês antes da morte de Cícera.
Júri reconheceu feminicídio, estupro e ocultação de cadáver
A acusação sustentou que Cícera Laura foi vítima de violência sexual antes de ser assassinada e que o condenado tentou ocultar o corpo em uma área de vegetação.
Durante o julgamento, Anderson admitiu à defesa ter matado a vítima.
A defesa tentou afastar as acusações de estupro e ocultação de cadáver, argumentando que os exames periciais não haviam comprovado a violência sexual devido ao estado de decomposição do corpo.
Os jurados, entretanto, acolheram a acusação apresentada pelo Ministério Público e reconheceram a responsabilidade do réu pelos três crimes.
Na sentença, o juiz considerou a gravidade dos fatos, os antecedentes do condenado e as circunstâncias em que a vítima foi atacada.
Pena ultrapassa 67 anos de prisão
PENAS FIXADAS PELA JUSTIÇA
67 anos, 4 meses e 15 dias
Total da condenação
Feminicídio56 anos, 10 meses e 15 diasEstupro8 anos e 2 mesesOcultação de cadáver2 anos e 4 meses
Além da pena de prisão, Anderson deverá pagar 204 dias-multa, conforme estabelecido na sentença.
A decisão da 5ª Vara Criminal de Arapiraca estabelece o regime inicial fechado e determina a expedição de mandado de prisão definitiva para o cumprimento imediato da pena.
A condenação representa um desfecho judicial importante para um caso que mobilizou a população de Arapiraca e provocou manifestações de indignação e pedidos de justiça desde o início do ano.
O caso também trouxe à discussão a segurança das mulheres em espaços públicos e os procedimentos adotados pelas autoridades diante de desaparecimentos.




