Política
Ex-presidente do Paraguai é preso em casa após impeachment por escândalo bancário
Santiago Peña foi destituído por unanimidade pelo Senado e acabou detido em Assunção. Crise envolvendo o Ueno Bank deixou quase 3 milhões de clientes com dinheiro bloqueado.
Por Thiago Oliveira

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso na noite desta sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído do cargo por meio de um processo de impeachment aprovado pelo Senado paraguaio.
Segundo informações divulgadas pelo jornal ABC, do Paraguai, e repercutidas pela imprensa internacional, a prisão ocorreu na residência do ex-mandatário, em Assunção, onde ele permanecerá à disposição da Justiça.
A detenção aconteceu após o Ministério Público solicitar sua prisão preventiva em meio às investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, instituição bancária ligada a antigos sócios do ex-presidente.
Senado aprova impeachment por unanimidade
A destituição de Santiago Peña foi aprovada pelos 44 senadores presentes na sessão realizada nesta sexta-feira.
O julgamento ocorreu mesmo após o então presidente apresentar sua renúncia na quinta-feira (5), numa tentativa de encerrar a crise política que atingiu o governo.
O Congresso decidiu dar continuidade ao impeachment, que poderia ter consequências diferentes das previstas para uma renúncia voluntária.
A defesa de Peña questionou o andamento do processo, alegando falta de tempo para preparar os argumentos e analisar as acusações.
O ex-presidente não compareceu pessoalmente ao julgamento e foi representado por seus advogados.
Escândalo bancário provocou crise nacional
A crise teve início após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país.
O banco apresentava problemas de solvência, situação em que uma instituição não possui condições financeiras suficientes para cumprir suas obrigações.
Com a intervenção, milhões de clientes enfrentaram restrições para movimentar suas economias, provocando protestos nas ruas da capital paraguaia.
A instituição possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de 850 milhões de dólares em depósitos públicos, incluindo recursos relacionados à previdência social.
Santiago Peña havia sido acionista do grupo empresarial ligado ao banco até março de 2025.
Ex-presidente é investigado por possíveis irregularidades
O Ministério Público investiga suspeitas de lesão de confiança e possíveis irregularidades financeiras relacionadas à administração de recursos públicos.
Parlamentares da oposição também levantaram acusações de conflito de interesses e interferência em decisões regulatórias que poderiam ter beneficiado a instituição financeira.
As suspeitas ainda deverão ser analisadas pela Justiça, e a prisão preventiva não representa uma condenação criminal.
Peña nega irregularidades e afirma que os responsáveis pelos problemas financeiros deverão responder perante as autoridades.
Peña publica mensagem de despedida
Após a aprovação do impeachment, Santiago Peña divulgou uma carta nas redes sociais explicando sua decisão de apresentar a renúncia.
Segundo o ex-presidente, o objetivo era evitar novos prejuízos ao país e contribuir para a recuperação da estabilidade institucional.
Na mensagem, Peña também demonstrou preocupação com a situação dos cidadãos que aguardam a liberação de seus recursos financeiros.
Pedro Alliana assume a Presidência
Com a destituição de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai.
Integrante do Partido Colorado, Alliana deverá concluir o mandato presidencial previsto até agosto de 2028.
O novo governo terá como um dos principais desafios enfrentar as consequências da crise bancária, restabelecer a confiança no sistema financeiro e buscar soluções para os milhões de clientes afetados.
Enquanto isso, as investigações sobre o escândalo do Ueno Bank continuam e poderão resultar em novos desdobramentos judiciais e políticos.




