Cultura
Morre Tinto Brass, diretor de “Calígula” e referência do cinema erótico, aos 93 anos
Cineasta italiano ficou conhecido por produções que desafiaram a censura e provocaram debates sobre sexualidade e liberdade artística. Morte foi confirmada pela família nesta quarta-feira (4).
Por Redação NEXO 24

O cineasta italiano Tinto Brass, conhecido internacionalmente por dirigir filmes eróticos e produções controversas como Calígula e Salon Kitty, morreu nesta quarta-feira (4), aos 93 anos, em Roma, na Itália.
A informação foi confirmada à agência italiana Ansa pela esposa do diretor, Caterina Varzi, e pelos filhos, Bonifacio e Beatrice Brass. A causa oficial da morte não foi divulgada. Segundo a CNN Brasil, o cineasta enfrentava uma grave infecção sistêmica em 2026.
A família informou que a despedida será realizada em uma cerimônia privada.
Quem foi Tinto Brass?
Nascido em Milão, em 26 de março de 1933, Giovanni Brass, conhecido artisticamente como Tinto Brass, construiu uma carreira de mais de cinco décadas no cinema europeu.
Antes de ganhar notoriedade por suas produções eróticas, o diretor trabalhou na Cinemateca de Paris, durante o movimento cinematográfico francês conhecido como Nouvelle Vague. Também colaborou com o cineasta Roberto Rossellini, um dos principais representantes do neorrealismo italiano.
Sua estreia na direção aconteceu em 1963, com Quem Trabalha Está Perdido, obra que já demonstrava seu interesse por narrativas experimentais e críticas às convenções sociais.
Ao longo da carreira, dirigiu quase 30 filmes e se tornou um dos nomes mais conhecidos do cinema erótico italiano.
“Calígula” foi o filme mais polêmico de sua carreira
O maior destaque de sua filmografia foi Calígula, produção de 1979 que retrata a trajetória do imperador romano e os excessos de poder na Roma Antiga.
O longa reuniu atores conhecidos internacionalmente, como Malcolm McDowell, Helen Mirren, Peter O'Toole e John Gielgud.
A produção, entretanto, ficou marcada por conflitos entre Brass, o roteirista Gore Vidal e o produtor Bob Guccione, fundador da revista Penthouse.
Após as filmagens, Guccione acrescentou cenas de sexo explícito sem a autorização do diretor, provocando disputas sobre a versão final da obra. Brass rejeitou o resultado e tentou retirar seu nome dos créditos.
O filme enfrentou censura em diferentes países, incluindo o Brasil, durante o regime militar, e acabou conquistando o status de produção cult.
Diretor construiu carreira marcada pelo erotismo
Além de Calígula, Tinto Brass dirigiu filmes como Salon Kitty, A Chave, Miranda, Paprika e Todas as Mulheres Fazem.
Suas obras exploravam temas como desejo, relações de poder, comportamento humano e liberdade sexual, frequentemente utilizando humor e situações provocativas.
Embora tenha conquistado admiradores, seu trabalho também recebeu críticas pela representação do corpo feminino e pelo conteúdo sexual explícito.
Brass defendia o erotismo como uma forma de expressão artística e acreditava que o cinema poderia desafiar padrões morais e culturais estabelecidos.
Problemas de saúde marcaram os últimos anos
Em 2010, o cineasta sofreu uma hemorragia cerebral que comprometeu sua saúde e exigiu um longo período de reabilitação.
Nos anos seguintes, passou a contar com o apoio de Caterina Varzi, advogada, psicanalista e atriz com quem se casou em 2017.
Em setembro de 2026, Brass recebeu uma homenagem no Festival de Cinema de Veneza, incluindo o Prêmio Pietro Bianchi, concedido pela União Nacional de Jornalistas de Cinema Italianos.
O diretor não conseguiu comparecer à cerimônia por problemas de saúde e foi representado pela esposa.
Legado no cinema europeu
A morte de Tinto Brass encerra a trajetória de um cineasta que transitou entre o cinema experimental e o erotismo, conquistando reconhecimento internacional e provocando discussões sobre os limites da liberdade artística.
Apesar das controvérsias, sua filmografia permanece associada a um período de transformações culturais no cinema europeu, especialmente nas décadas de 1970 e 1980.
Brass deixa a esposa, Caterina Varzi, e dois filhos, Beatrice e Bonifacio, de seu primeiro casamento com a roteirista Carla Cipriani, falecida em 2006.


