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NEXO 24
NEXO AgoraNEXO 24 — Jornalismo nacional e internacional

Economia

Eleições nos EUA mudam equilíbrio de poder e podem influenciar dólar e juros no Brasil

Avanço dos democratas no Congresso americano impõe novos obstáculos à agenda econômica de Donald Trump. Resultado também movimenta expectativas sobre investimentos, comércio internacional e taxas de juros.

Por Redação NEXO 24

4 min de leitura
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As eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3) nos Estados Unidos modificaram o cenário político do país e podem provocar reflexos na economia brasileira. Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, reduzindo a capacidade do presidente Donald Trump de avançar com sua agenda legislativa sem negociar com a oposição.

A mudança ocorre em um momento de atenção dos mercados financeiros às políticas de gastos públicos, tributação e comércio exterior dos Estados Unidos. As decisões tomadas em Washington podem influenciar o comportamento do dólar, dos juros internacionais e dos investimentos destinados a países emergentes, como o Brasil.

Democratas ampliam poder de fiscalização sobre Trump

Conhecidas como midterms, as eleições americanas são realizadas na metade do mandato presidencial. Neste ano, os eleitores escolheram os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 vagas do Senado.

Com a nova composição do Congresso, os democratas terão maior capacidade de fiscalizar o Executivo, abrir investigações e dificultar a aprovação de projetos que dependam do Legislativo.

O resultado, entretanto, não retira de Trump suas atribuições presidenciais. O republicano continuará à frente da Casa Branca e poderá utilizar instrumentos administrativos e poderes previstos na legislação para implementar parte de suas políticas.

O novo Congresso assumirá suas funções em janeiro de 2027.

Como as eleições americanas podem afetar o dólar no Brasil?

Uma das principais preocupações dos investidores envolve a política fiscal dos Estados Unidos.

Propostas de redução de impostos ou ampliação dos gastos federais podem elevar as necessidades de financiamento do governo americano. Dependendo da reação do mercado, isso pode pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Quando esses títulos oferecem retornos mais elevados, aplicações americanas podem se tornar mais atraentes, reduzindo o fluxo de recursos para economias emergentes.

No Brasil, esse movimento pode provocar valorização do dólar diante do real e aumento das taxas de juros negociadas no mercado financeiro.

Por outro lado, caso a nova composição do Congresso reduza as expectativas de expansão dos gastos públicos americanos, poderá haver alívio sobre os juros internacionais.

Analistas ressaltam, porém, que o comportamento do câmbio depende de diversos fatores, incluindo a política monetária americana, o cenário geopolítico e as condições econômicas brasileiras.

Resultado pode influenciar investimentos e Bolsa brasileira

A mudança no Congresso americano também pode afetar decisões de investidores internacionais.

Segundo análises de instituições financeiras, um ambiente de juros mais baixos nos Estados Unidos pode aumentar a atratividade de ativos de países emergentes, favorecendo a entrada de capital estrangeiro.

No mercado brasileiro, empresas dos setores de varejo, construção civil e consumo costumam ser sensíveis às expectativas sobre juros, uma vez que dependem de financiamento e da capacidade de compra da população.

Já as companhias exportadoras podem reagir de maneira diferente, pois suas receitas são influenciadas pelo dólar e pelos preços internacionais das matérias-primas.

O JPMorgan avalia que os efeitos sobre as ações americanas também variam conforme o setor econômico e a capacidade do novo Congresso de aprovar ou bloquear mudanças regulatórias.

Política comercial de Trump também entra no radar

Outro ponto acompanhado pelo mercado brasileiro é a política de tarifas comerciais adotada pelo governo americano.

Com os democratas controlando as duas Casas do Congresso, iniciativas relacionadas ao comércio exterior poderão enfrentar maior fiscalização e resistência legislativa.

Isso não significa, entretanto, que as tarifas aplicadas pelo governo Trump serão automaticamente suspensas.

O presidente americano dispõe de instrumentos legais para adotar medidas comerciais, e mudanças aprovadas pelo Congresso podem depender de sua sanção. A derrubada de um eventual veto presidencial exige maioria qualificada de dois terços em ambas as Casas.

Para o Brasil, as decisões sobre tarifas são especialmente importantes para empresas exportadoras e setores industriais que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos.

Dólar encerrou terça-feira próximo de R$ 5,50

Enquanto os americanos votavam, o mercado financeiro brasileiro registrou um dia de instabilidade.

O dólar comercial encerrou a terça-feira (3) cotado a R$ 5,486, com alta de 0,74%. Durante o pregão, a moeda chegou a superar R$ 5,50.

A Bolsa brasileira também apresentou perdas. O Ibovespa recuou 1,42%, encerrando o dia aos 165.528,92 pontos.

Além das eleições americanas, investidores acompanharam as incertezas sobre a política fiscal brasileira e as expectativas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (4).

A taxa Selic estava em 13,75% ao ano, e o mercado aguardava sinais do Banco Central sobre os próximos passos da política monetária.

Cenário brasileiro continuará decisivo

Embora as eleições americanas possam influenciar o comportamento do dólar e dos juros, especialistas destacam que as decisões econômicas brasileiras continuarão tendo peso importante sobre o mercado nacional.

A condução das contas públicas, as expectativas de inflação, a política de juros do Banco Central e a confiança dos investidores são fatores fundamentais para determinar o desempenho do real e da Bolsa.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, avalia que mudanças no Congresso americano podem favorecer moedas de países emergentes, mas ressalta que a reação inicial do dólar tende a ser limitada e não representa, necessariamente, uma mudança duradoura de tendência.

Dessa forma, o novo equilíbrio político nos Estados Unidos acrescenta uma variável ao cenário econômico internacional, mas não elimina os desafios internos enfrentados pelo Brasil.

Fonte: Com informações de g1, Metrópoles, TNH1, Times Brasil

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