Brasil
Pai de Daniel Vorcaro pede novamente liberdade ao STF e alega agravamento de problemas de saúde
Defesa apresenta novo relatório médico, aponta risco de complicações intestinais e questiona ausência de reavaliação da prisão preventiva.
Por Redação NEXO 24
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A defesa do empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar obter sua liberdade ou substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar. A solicitação foi encaminhada nesta segunda-feira (2) ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Os advogados afirmam que o estado de saúde do empresário exige cuidados médicos específicos e alegam que a unidade prisional onde ele está detido não oferece condições adequadas para o tratamento.
Henrique está preso desde 14 de maio de 2026 na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Minas Gerais, no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Relatório médico aponta risco de complicações intestinais
O novo pedido é acompanhado de um relatório médico elaborado em 28 de outubro pelo coloproctologista Marcos Henrique Rocha Campos, responsável pelo acompanhamento clínico de Henrique durante vários anos.
Segundo o documento, o empresário apresenta histórico de crises recorrentes de diverticulite, doença caracterizada pela inflamação de pequenas bolsas que podem se formar na parede do intestino grosso.
O médico relata que algumas crises exigiram internação hospitalar e provocaram dores abdominais persistentes. Diante da repetição dos episódios, chegou a ser indicada uma cirurgia para retirada de parte do intestino, mas o procedimento não foi realizado.
O relatório também alerta para a possibilidade de perfuração intestinal, uma complicação grave que pode exigir atendimento hospitalar imediato e intervenção cirúrgica.
A apresentação do documento busca reforçar o argumento da defesa de que a permanência no presídio pode representar riscos à saúde do empresário.
Defesa também relata problemas cardíacos e falhas no fornecimento de medicamentos
Além da diverticulite, os advogados afirmam que Henrique enfrenta hipertensão arterial e doença arterial coronariana, condições que exigem acompanhamento e uso contínuo de medicamentos.
A defesa relata ainda que ele sofreu um episódio de amnésia em março, que teria exigido internação em uma unidade de terapia intensiva.
Segundo os representantes do empresário, durante o período de prisão foram registrados episódios de dores de cabeça, alterações na pressão arterial e lapsos de memória.
Os advogados também afirmam que, em setembro, o fornecimento de um medicamento para hipertensão teria sido interrompido por mais de uma semana, embora os remédios já estivessem disponíveis na unidade prisional.
Essas informações integram as alegações apresentadas pela defesa e não representam, por si só, uma conclusão judicial sobre as condições de atendimento médico no presídio.
Advogados questionam prazo de revisão da prisão preventiva
Outro ponto levantado no pedido envolve a necessidade de reavaliação periódica da prisão preventiva.
A defesa sustenta que Henrique permanece preso há mais de cinco meses sem uma nova decisão fundamentada sobre a continuidade da medida.
Segundo os advogados, o prazo de 90 dias previsto na legislação para revisão da prisão preventiva teria sido ultrapassado. Eles afirmam que pedidos apresentados desde agosto ainda aguardam análise.
A legislação estabelece a necessidade de revisão periódica da prisão preventiva, mas o eventual descumprimento desse prazo não provoca soltura automática, dependendo de avaliação judicial.
Os representantes do empresário também solicitam o julgamento de um recurso apresentado em julho, no qual contestam os fundamentos utilizados para determinar sua prisão.
Investigação envolve suspeitas de intimidação e obtenção de informações sigilosas
A prisão de Henrique Vorcaro foi determinada pelo ministro André Mendonça durante as investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, o empresário teria financiado e solicitado serviços de um grupo identificado como “A Turma”, investigado por suspeitas de ameaças, intimidações e obtenção irregular de informações sigilosas.
Em junho, a Segunda Turma do STF confirmou, por maioria, a manutenção da prisão preventiva de Henrique e de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
Na ocasião, prevaleceu o entendimento de que as medidas eram necessárias para preservar o andamento das investigações.
A defesa nega que Henrique tenha participado de ações destinadas a ameaçar ou intimidar testemunhas e afirma que elementos utilizados para justificar a prisão foram interpretados fora de contexto.
Pedido de prisão domiciliar aguarda decisão
Diante dos problemas de saúde relatados, os advogados pedem a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a concessão de prisão domiciliar por razões humanitárias.
A defesa também admite a possibilidade de aplicação de medidas cautelares, caso o Supremo considere necessário estabelecer restrições para autorizar a permanência do empresário em casa.
Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação de uma nova decisão do STF sobre o pedido apresentado em 2 de novembro.
O caso permanece sob análise judicial, enquanto as investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master continuam em andamento.




