Brasil
População de baleias-jubarte chega a 35 mil no Brasil e impulsiona turismo sustentável
Observação dos animais movimenta a economia de cidades litorâneas, gera empregos e fortalece iniciativas de preservação ambiental.
Por Redação NEXO 24

A recuperação da população de baleias-jubarte no litoral brasileiro está transformando o turismo e criando novas oportunidades econômicas para comunidades costeiras. No Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, a observação desses animais tornou-se uma importante fonte de renda para trabalhadores que antes dependiam principalmente da pesca e do turismo de verão.
Segundo o Instituto Baleia Jubarte, a população da espécie no Brasil passou de menos de 2 mil indivíduos no início da década de 1990 para aproximadamente 35 mil baleias, conforme a última estimativa disponível, realizada em 2022.
O crescimento é resultado de décadas de proteção ambiental, incluindo a proibição da caça comercial de baleias no país, em 1987, e a preservação de áreas fundamentais para a reprodução da espécie.
Turismo transforma a economia de comunidades litorâneas
Em Caravelas, município baiano que funciona como uma das principais portas de entrada para Abrolhos, o aumento da presença das jubartes modificou a rotina dos trabalhadores ligados ao mar.
O empresário e comandante de embarcações Paulo Salomão é um exemplo dessa transformação. Criado em uma família de pescadores, ele encontrou no transporte de turistas e nas atividades de mergulho uma alternativa econômica após a criação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, em 1983.
Atualmente, administra quatro embarcações e emprega dez trabalhadores. Segundo ele, a temporada de observação das baleias ampliou a movimentação turística nos meses de inverno, período que anteriormente registrava menor procura.
A atividade beneficia também pousadas, restaurantes, comerciantes e prestadores de serviços, movimentando a economia regional fora da tradicional temporada de verão.
Abrolhos funciona como berçário natural das jubartes
Todos os anos, as baleias-jubarte percorrem aproximadamente 4 mil quilômetros desde as águas geladas da Antártica até o litoral brasileiro.
Durante a migração, procuram águas mais quentes para acasalar, dar à luz e cuidar dos filhotes nos primeiros meses de vida.
O Arquipélago de Abrolhos é uma das principais áreas de reprodução da espécie no Atlântico Sul e concentra grande parte das baleias que chegam ao Brasil.
A presença desses animais atrai visitantes interessados em acompanhar saltos, movimentos das nadadeiras e outras manifestações naturais das jubartes, sempre respeitando as regras de observação.
Novas regras estabelecem distância mínima de 100 metros
Para garantir a segurança dos animais e reduzir os impactos provocados pela aproximação de embarcações, o governo brasileiro estabeleceu regras específicas para o turismo de observação.
Uma portaria publicada em agosto de 2026 determina que os operadores respeitem limites durante os passeios.
Entre as principais exigências estão:
Distância mínima de 100 metros das baleias.
Permanência máxima de 60 minutos nas proximidades dos animais.
Limite de 30 minutos quando houver fêmeas acompanhadas de filhotes.
Aproximação simultânea de, no máximo, duas embarcações.
Proibição de perseguir, cercar, tocar ou interferir no deslocamento das baleias.
As medidas procuram permitir a atividade turística sem comprometer o comportamento natural dos animais.
Preservação ambiental também gera desenvolvimento econômico
Para o diretor executivo do Instituto Baleia Jubarte, Eduardo Camargo, o turismo responsável demonstra que a conservação ambiental pode gerar benefícios concretos para as comunidades.
A atividade cria oportunidades de trabalho e estimula a valorização das baleias vivas, tornando sua preservação economicamente relevante.
O instituto desenvolve ações educativas e programas de capacitação para profissionais do turismo, além de manter centros de visitação em diferentes cidades brasileiras, incluindo Caravelas, Praia do Forte, Itacaré, Vitória e Ilhabela.
Em algumas localidades, operadores capacitados recebem o selo Amigo da Baleia, que reconhece o compromisso com boas práticas de observação.
Baleias desempenham papel importante no equilíbrio dos oceanos
Além de atrair turistas, as baleias-jubarte contribuem para a manutenção dos ecossistemas marinhos.
Segundo pesquisadores, esses animais ajudam a distribuir nutrientes pelos oceanos durante seus deslocamentos e processos naturais de alimentação e excreção, favorecendo a produtividade de organismos marinhos.
Um estudo realizado com participação do Fundo Monetário Internacional, da Universidade de Duke e de organizações ambientais estimou em mais de US$ 82 bilhões a contribuição das baleias presentes no Brasil, considerando serviços ecossistêmicos e atividades econômicas associadas a esses animais.
O valor representa uma estimativa ampla de benefícios ambientais e econômicos, não uma receita anual gerada exclusivamente pelo turismo.
Turismo responsável fortalece a conservação
A recuperação das jubartes é considerada um resultado importante das políticas de proteção da biodiversidade marinha no Brasil.
Especialistas destacam, entretanto, que o crescimento do turismo precisa ser acompanhado de fiscalização, capacitação e respeito às normas ambientais.
A experiência de Abrolhos mostra que proteger a natureza e desenvolver atividades econômicas podem ser objetivos complementares, desde que a exploração turística seja planejada e não coloque em risco os animais.
Fonte: Com informações de Agência Brasil




